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A Atenção e a Aprendizagem

A Aprendizagem é um processo que inicia com o nascimento do bebê, suas primeiras aprendizagens são decorrentes de fatores biológicos como: a respiração, o choro, a fome, o frio. E desse momento em diante, a interação com o meio e o sujeito cuidador favorecerá esse processo.
Sabe-se que o ato motor está diretamente ligado com o desenvolvimento mental (cognitivo), assim, conforme Fonseca (1988) ...”cada aquisição influencia na anterior, tanto no domínio mental como no motor, através da experiência e troca com o meio.”
Nesse processo do aprender, a atenção é um pré-requisito, por meio o é possível memorizar determinada informação, ou seja, adquirir o conhecimento.
O desenvolvimento da atenção é dividido em dois momentos conhecidos como: atenção involuntária e voluntária.
A atenção involuntária é uma característica marcante nos primeiros anos de idade e guia-nos por toda a vida.
É reconhecida facilmente quando se está realizando alguma atividade e ouve-se um barulho forte de uma batida de carro, automaticamente, a pessoa se dispersa, voltando-se para tal barulho; ou ainda, ao ouvir um forte estrondo de trovão. Assim, qualquer coisa que desperte a atenção não consciente, e sim por reflexos ou instinto é considerado uma atenção involuntária.
A atenção voluntária ocorre por interesse do sujeito em determinado assunto, sendo dividida em: atenção seletiva, atenção alternada, atenção dividida.
A atenção alternada refere-se à capacidade de substituir um estimulo por outro, uma pessoa está concentrada lendo um texto e atende ao telefone, nesse momento, muda seu foco atencional, substituindo o estímulo da leitura para ter atenção à conversa telefônica.
Na atenção dividida, é possível fazer várias atividades ao mesmo tempo, por exemplo, assistir a televisão e fazer o jantar. Férnandez (2001) reconhece a atenção dividida como flutuante, estando cada vez mais presente na geração moderna, observa-a com freqüência entre os adolescentes, que estudam e ouvem música ao mesmo tempo.
Em nossa atualidade, o homem sofre uma grande variedade de estímulos, observe e ouça nesse momento de leitura, a quantidade de informações e de situações que estão ocorrendo ( por exemplo, o barulho de um carro, de um avião, crianças brincando, um rádio ligado, um cachorro latindo, o barulho de algo que caiu no chão, e assim por seguinte). Diante desses aspectos, a atenção seletiva é a capacidade que o sujeito tem de selecionar um estímulo ou um objeto específico e concentrar -se nele, focando a atenção para algo de interesse, sem se preocupar com o barulho ao redor. A atenção seletiva, conforme Luria (1979) possui outros subitens relacionados, Sendo: o volume da atenção, ou seja, a escolha de um estímulo para se focar dentre a variedade disponível, como exemplificado. A estabilidade ou também conhecida como atenção sustentada, determina o tempo em que o sujeito fica focado em determinado estímulo.
Ainda, conforme Luria (1979), a atenção pode ser oscilante, pois não é possível nem mesmo ao adulto manter sua atenção focada por todo o tempo, biologicamente, a atenção sofre oscilações, portanto, considera-se que a atenção voluntária diferentemente da involuntária é uma atenção inata ao sujeito, ou seja, pode e exige treinamento.
Assim, é possível se ter a atenção seletiva dispersada por um momento, porém a consciência da importância da atividade a qual está se realizando, faz com que se volte a concentração em seguida. Esse aspecto é um dos desafios à sala de aula, pois nem sempre os conteúdos são suficientemente significantes aos alunos para a realização do treino de retorno da atenção, além de nem sempre terem a maturidade para tal ação.
Tanto quanto a memória, o despertar da atenção envolve também o sistema límbico (a quarta unidade funcional descrita por Luria), na qual a motivação, o ânimo, o interesse, o afeto e o sentimento, assim como os fatores fisiológicos e o stress podem interferir em seu desenvolvimento.
Têm-se como fatores fisiológicos, possíveis alterações nas funções responsáveis pela a atenção, como ainda um amadurecimento a ocorrer conforme a idade cronológica e as experiências vividas pela criança.
O desenvolvimento da atenção voluntária é um processo de aprendizagem que ocorre até aproximadamente os 12 anos de idade. Sendo importante a criança durante seu desenvolvimento, receber orientações para treinar e desenvolver sua atenção seletiva, através da nomeação e ordenação das ações, como por exemplo: “Pegue devagar a caneca, segure a alça e beba com calma.” (Luria, 1979). Com o decorrer de sua maturação a instrução verbal orientará sua atenção até se tornar reguladora.
A atenção associada aos processos de controle torna capaz a retenção de informações relevantes, as quais são fixadas na memória de longa duração.
Atualmente, é grande o número de queixas que chegam a Clínica Psicopedagógica em relação à dificuldade de atenção, mas como mencionado, diversos são os fatores que determinam e interferem nesse processo, não é possível relaciona-la sempre a um fator fisiológico, embora há a importância de um diagnóstico diferencial, com outros especialistas envolvidos. Porém a sociedade atual encontra-se deficiente de atenção e memória por circunstâncias advindas da modernidade, da correria do cotidiano, da pressa e ansiedade gerada pelos adultos e perpassada para as crianças seja em casa e/ou na escola, e, por vezes, pela falta de tempo ou paciência em falar ou agir com a criança dentro de seu ritmo de maturidade, ensinando-a dentro de seu perfil. Esse tipo de situação cotidiana gera ansiedade e por vezes interfere na atenção.
Conforme Fernandez (2001), a palavra atenção vem do verbo atender e atender é cuidar. Assim, a atenção está vinculada a um aspecto sócio-afetivo de vínculo com o outro, sendo construída a partir do modelo do adulto.
Portanto, é imprescindível e cuidadoso o diagnóstico para saber se a falta de atenção é um sintoma fisiológico, ou apenas, um sintoma que a criança ou adolescente apresenta de um quadro circunstancial, advindos de fatores emocionais inconscientes. Uma vez que, a distração não é oriunda apenas de estímulos externos, mas envolvem também os distratores internos do sujeito.

2011 - Edilene Dal’Olio
Educadora Especializada em Psicopedagogia Clínica e Intitucional.
Especializanda em Neuropedagogia & Psicanálise
Tels. 2725-6643/8475-4434



Referências:
Fernandez, Alicia. A sociedade hipercinética e desatenta medica o que produz. Porto Alegre, Artes Médicas, 2001.
Luria, Alexander. Curso de Psicologia Geral. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 1979 ( 4 vols.)
FONSECA, Vitor da. Da filogênese à ontogênese da motricidade. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988. 309 pp.